sexta-feira, 10 de outubro de 2003

O exterminador de políticos
Imagino que os leitores desta ágora acompanharam – com maior ou menor proximidade – a eleição do ator Arnold Schwarzeneger para governador da California.
Não pretendo discutir se um ator têm capacidade ou não para governar um estado. Para quem duvide desta possibilidade, prefiro responder com a pergunta: “e por que não ??”.
Atores no governo não é novidade alguma (aqui mesmo no Brasil palhaços se candidatam e estão governando numa boa), o que deve chamar nossa atenção é que esta eleição foi antecipada. Tudo porque havia descontentamento com a administração atual do governador Gray Davis.
Nada mais justo. Pra quê esperar o término do mandato de um governo ruim? Pode-se comparar isso com uma empresa: se o funcionário não satisfaz as necessidades dela, demite-se o funcionário e é providenciada a contratação de outro. É claro que, em se tratando de um governo, há toda a complexidade inerente ao processo democrático que diz que a vontade da maioria deve ser respeitada, sempre.
Muitos serão rápido em dizer que este é o tipo de dispositivo que a democracia brasileira deveria ter. Sem dúvida é um bom dispositivo mas, para ser criterioso, não podemos deixar de fazer a seguinte pergunta antes de mais nada: a sociedade brasileira está pronta para algo desse tipo?
Taí, estará nosssa sociedade amadurecida o suficiente a ponto de o Estado contar com seu discernimento para concluir se um governo está ou não está sendo eficiente ?
Uma sociedade, acostumada a ter a opinião dos “Fantásticos” e “Reporteres Cidadãos” como se fosse sua própria, que se satisfaz com novelas como “Mulheres apaixonadas” por que “mostra a realidade do convívio familiar” (????) pode ter o poder de pressão a ponto de forçar uma nova eleição?
Creio que a reposta mais adequada para este questionamento seja: “sim e não”. Não pois, uma sociedade desarticulada como a nossa (no que diz respeito aos interesses gerais, ou seja, dela própria) não terá a clareza necessária para exigir tal vantagem democrática. Não estamos acostumados a questionar e sim a aceitar o que nos apresentam como um questionamento claro e completo. Assim é fácil imaginar que a população poderia, facilmente, ser levada a exigir uma nova eleição, com 'simples' matérias explosivas em algum programa dominical. Matérias estas, claro, criadas para atender a algum interesse (politico ou economico).
Por outro lado, até onde posso perceber, a sociedade (seja qual for, não importa o país) não é capaz de aprender a decidir o que é melhor para ela sem enfrentar os erros decorrentes de suas escolhas. Pode-se dizer que é como aprender a nadar: antes de dar as braçadas, engole-se muita água. Alguém pode dizer: ”Mas o Estado é mantido pela sociedade, justamente, para trilhar o camilho que for melhor para todos”. Pensar assim é querer manter um Estado paternalista e, em grau mais elevado, um passo rumo a um regime ditatorial, além disso, o Estado nada mais é do que reflexo da sociedade que o mantém! O que se deve almejar então é que o Estado (com todos os vícios que traz da sociedade) seja impulsionado não a fazer o que é melhor mas, sim, fazer o que é certo. O que é certo nessa história? EDUCAR a população, claro. Educando-a, ela se torna forte e é posto fim àquele circulo vicioso que mantém a sociedade à mercê dos caminhos escolhidos pelo Estado.
Resta saber, qual governo (em qualquer esfera) terá “sangue no olho” o suficiente para pôr fim à esta dependência.

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